Se você trabalha com marketing (interno ou em agência), provavelmente já ouviu, ou repetiu essas frases:
- “Precisamos humanizar a marca.”
- “Sem estratégia, não dá.”
- “Temos que estar presentes nas redes sociais.”
Nada disso é mentira. Pelo contrário. O problema é que essas ideias deixaram de ser diferencial há muito tempo.
Hoje, todo mundo já sabe o que precisa ser feito. Ainda assim, muitas marcas seguem patinando, produzindo conteúdo, investindo tempo e dinheiro, sem ver o marketing sair do lugar.
Este texto não é uma crítica. É um convite à reflexão sobre o que realmente trava a evolução do marketing dentro das empresas.
Quando o conhecimento vira ruído
O mercado de marketing amadureceu. A informação está acessível, os conceitos estão claros e as boas práticas são amplamente divulgadas.
O efeito colateral disso é simples:
saber o que fazer não significa saber como fazer — nem quando, nem por quê.
Humanizar a marca, por exemplo, virou um termo tão repetido que perdeu profundidade. Para algumas empresas, isso se resume a:
- usar uma linguagem mais informal;
- colocar rostos nos posts;
- responder comentários com emojis.
Tudo isso pode fazer parte, mas não é humanização. Humanizar exige clareza de posicionamento, coerência entre discurso e prática, e decisões que nem sempre são confortáveis.
Estratégia não é um documento. É uma escolha.
Outra tendência que já está saturada é falar de estratégia.
Muitas empresas dizem ter estratégia quando, na prática, têm apenas:
- um calendário de posts;
- metas genéricas;
- ideias soltas baseadas no que o concorrente está fazendo.
Estratégia envolve escolher um caminho e aceitar que outros ficarão de fora.
Para equipes internas e pequenas agências, esse costuma ser um dos maiores gargalos: tentar abraçar tudo para não desagradar ninguém.
O resultado?
- mensagens confusas;
- marcas que não se diferenciam;
- esforços diluídos.
Presença digital não é sinônimo de relevância
Estar nas redes sociais hoje é o mínimo. Não é vantagem competitiva.
Mesmo assim, muitas marcas ainda medem sucesso por:
- frequência de postagem;
- quantidade de canais ativos;
- volume de conteúdo produzido.
Isso gera uma falsa sensação de movimento.
Marketing que funciona é o que resolve um problema real do negócio.
E isso exige integração com vendas, com atendimento, com operação e com liderança.
Então, por que algumas marcas não saem do lugar?
Na prática, o que trava não é falta de informação. É falta de estrutura, clareza e maturidade decisória.
Alguns pontos aparecem com frequência:
- marketing visto como execução, não como parte da estratégia do negócio;
- equipes internas sobrecarregadas e sem autonomia;
- agências operando no tático, sem acesso à visão real da empresa;
- decisões guiadas por urgência, não por prioridade.
Quando isso acontece, o marketing vira um centro de custo, não um motor de crescimento.
O próximo nível do marketing não é uma nova tendência
Talvez a pergunta não seja mais “qual é a próxima tendência?”.
Talvez seja:
- o quanto a empresa está disposta a sustentar um posicionamento;
- o quanto confia no processo, e não só no resultado imediato;
- o quanto o marketing está conectado ao negócio e não isolado dele.
Marcas que avançam não são as que sabem mais. São as que executam melhor, com contexto, método e consistência.
E isso vale tanto para times internos quanto para agências menores que querem crescer de forma estruturada.
Marketing não precisa de mais modismos. Precisa de direção.
No fim, humanizar, ter estratégia e estar presente continuam sendo fundamentais.
A diferença está em como isso é construído e em quem está disposto a fazer o trabalho menos óbvio.
Porque o básico todo mundo já sabe. O que falta é transformar esse básico em algo que realmente funcione para o negócio.
